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Missão

Cada português só compra bilhetes para um espectáculo de dois em dois anos. Isto incluindo concertos e festivais – se falarmos apenas de teatro, os números são ainda mais preocupantes. 

Trabalhar em cultura em Portugal é viver preso a um paradigma que não interessa a ninguém – dos agentes aos espectadores – e que, ainda assim, parece ser perpetuado diariamente: que somos forçados a escolher a Arte ou o Público. Entre o Público e o Respeito. 

Recusamos este paradigma. Como método, como filosofia de trabalho e como visão de futuro, recusamo-lo. 

A Força de Produção acredita, desde o primeiro momento, que não há o Teatro sério e o Teatro comercial, mas sim o Teatro bom e o Teatro mau. Que uma peça comercial pode ser extraordinária e uma peça experimental pode ser um sucesso de bilheteira. 

Acreditamos que a única maneira de inverter os números dramáticos que temos hoje e levar regularmente os portugueses às salas é aliando estas duas correntes ao serviço de uma revolução, de um manifesto, de um novo paradigma. Uma nova forma de olhar para o Teatro, em que todos temos a aprender uns com os outros. Em que a conquista de um novo espectador de teatro, seja em que sala for, beneficia todas e se transforma num bilhete vendido noutro espetáculo, noutra sala, noutra ideia. Em que conseguir dar continuidade ao amor ao palco – um amor contínuo, contagioso, muito maior que um único produtor ou corrente – não é uma ferramenta de marketing, mas um grito claro e audível sobre a Responsabilidade Cultural que é de todos nós, agentes desta área, tão diversa e tão nobre. 

Chegamos a este momento e a esta oportunidade – a de fazer cultura no Maria Matos – guiados por esse compromisso. Pela noção de que ser escolhido para entrar no Maria Matos é a Responsabilidade e Honra de passar a fazer parte de uma rede de pessoas e palcos que juntos dão forma à memória colectiva de uma cidade. 

Quem aqui chegar motivado por ambição económica ou ego rapidamente reconhecerá um desafio difícil, pesado, arriscado. Um desafio que só deve – só pode – ser aceite à luz desta Responsabilidade – a de dar aos nossos filhos uma Lisboa com memória, com ideias, com ar fresco e com gente nas cadeiras para o respirar.

HISTÓRIA

A construção do Teatro decorreu entre 1963 e 1969, com um projeto da autoria do Arquiteto Barros da Fonseca, num projeto arquitetónico muito arrojado para a época, que consiste num edifício de quinze pisos, integrando um Hotel, um Teatro e um Cinema.

O Teatro Maria Matos inaugurou a 22 de outubro de 1969, sob a Direção Artística de Igrejas Caeiro, com a peça “Tombo no Inferno”, de Aquilino Ribeiro. Pelo seu palco passaram, durante os anos 70 e início dos anos 80, várias companhias, nomeadamente a Companhia de Teatro da RDP, com Direção Artística de Artur Ramos, e a Repertório – Cooperativa Portuguesa de Teatro, com Direção Artística de Armando Cortez.

Em 1982, o Teatro foi adquirido pela Câmara Municipal de Lisboa, deixando de ter companhia residente e passando para um regime de acolhimento de projetos independentes e de companhias mais pequenas de Teatro, de Dança e de Música.

Em 2003, a gestão do Maria Matos transita para a empresa municipal EGEAC – Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural.

Dado o seu estado de degradação, em agosto de 2004, deu-se início a uma intervenção de profunda remodelação deste espaço cultural, conferindo-lhe uma nova identidade e dotando-o de melhores condições para a apresentação de espetáculos. O projeto incluiu a remodelação da sala e dos bastidores, a melhoria da acústica, da iluminação, da climatização, o reforço da segurança e a eliminação das barreiras arquitetónicas.

O Maria Matos Teatro Municipal reabriu a 27 de março de 2006. Este é agora um espaço sofisticado, moderno e acolhedor que, para além da sala principal, com capacidade para 447 lugares, é dotado de um Lounge, de um Café e de uma Sala de Ensaios. Após a reabertura, tendo como diretor artístico Diogo Infante, o Teatro consolidou-se como uma das principais salas de espetáculos da cidade de Lisboa, apostando numa programação própria regular baseada em produções teatrais próprias e coproduções de vários dos festivais de artes performativas e de cinema em Lisboa.

Entre 2008 e 2018, a direção artística esteve a cargo de Mark Deputter, uma alteração que assinalou, de igual forma, uma transformação no perfil do Teatro, vocacionando-o para a contemporaneidade performativa. Simultaneamente, apostou nos criadores nacionais sem espaço cultural de residência, na produção internacional com as mais variadas e experimentais linguagens artísticas, na regularidade de uma programação musical, no fortalecimento de um projeto educativo e, recuperando uma ideia clássica, na integração das questões da polis no espaço do teatro.


Em Julho de 2020 o Teatro Maria Matos inicia um novo capítulo da sua história. Com a alteração de modelo de gestão, o Teatro Maria Matos passará a ser arrendado pela Força de Produção proporcionando uma oferta cultural para o grande  grande público. A missão desenvolvida pelo Maria Matos Teatro Municipal continua a ser desenvolvida noutros espaços da cidade — o Lu.Ca e o Teatro do Bairro Alto.