Tiago Sousa © Vera Marmelo
 

Tiago Sousa

Sala Principal com bancada
MÚSICA
sábado 20 Fevereiro 22h00

Biografias

Tiago Sousa
Músico barreirense que se tem afirmado a passos largos no panorama musical português, seja pelo seu trabalho desenvolvido na netlabel Merzbau ou pelos inúmeros projectos em que participou. Tiago Sousa tem vindo a desenvolver uma carreira (na verdadeira essência da palavra) a solo cada vez mais admirável. Iniciada em 2006 com 'Crepúsculo' e coroada com a edição do muito aclamado “Insónia” pela Humming Couch já em 2009, a sua obra pauta-se por uma singular abordagem ao piano, que partindo das coordenadas dispersas de compositores como Erik Satie ou Claude Debussy as reposiciona num contínuo onde o minimalismo de Terry Riley coabita confortavelmente com a sensiblidade indie de quem aprendeu muito com os anos de militância activa fora dos meandros mais académicos. Feita de motivos melódicos de enorme expressividade emocional, a música de Tiago Sousa habita a noite para perdurar durante o dia, num corpo categórico cujo apelo está ainda longe de estar devidamente cartografado.
Vale a pena salientar a presença de “Insónia” em várias listas dos melhores discos nacionais do ano que passou, com destaque para a elaborada por Nuno Galopim, do Diário de Notícias, onde alcançou um meritório 5º lugar.

Sinopse

Crepúsculo e Insónia, o primeiro e o último álbum de Tiago Sousa, não terão estes nomes fruto do acaso. Denotam uma particular atracção pela indefinição, pela ambiguidade, como se as regras vigentes pudessem ser alteradas a qualquer momento, criando uma ilusão momentânea de que habitamos algo de novo e único. São espaços temporários, estados fronteira ou zonas limites, pequenos territórios francos onde leis ganham novas interpretações. Insónia, composto em 2009 com João Correia, foi exemplar nesse aspecto: pequenos e longos exercícios socalcados entre a folk contemporânea e uma atracção platónica pela composição erudita, com uma janela amplamente aberta para intromissões de outros géneros e inspirações. O espírito contestatário de Henry David Thoreau é uma das recentes inspirações e influências de Tiago Sousa: The Walden Pond’s Monk, a primeira peça a apresentar esta noite, num novo e ambicioso arranjo para piano, percussão, clarinete, violoncelo e teclados, procura circular livremente em torno da vida e obra do escritor americano. Samsara, a segunda peça, em estreia absoluta, ilumina-se pelo conceito hindu do ciclo da vida e da morte. As duas peças expõem o jovem compositor, músico autodidacta e ex-editor da Merzbau como um eloquente maestro impressionista de histórias, sugestões e ambientes.


"Há alusões à música clássica contemporânea, ao jazz, ou mais remotamente, a formatos pop mais livres, mas o que sobressai no conjunto, independentemente das escolas onde se inspira é o apuro formal na construção dos ambientes nocturnos e o libertar de melodias emocionantes tocadas com enorme simplicidade. É música de respiração interior, mas que não se f echa na sua redoma, procurando o espaço de partilha."
Vítor Belanciano, Público, Novembro 2009

"Insónia é um disco que, com as características de um auto-retrato, nos dá conta de como essas memórias antigas retomaram protagonismo na procura de uma identidade que assim se nos revela ainda em construção, sem polimento, crua e honesta. Acompanhado por João Correia (percussão) e Ricardo Ribeiro (clarinete), Tiago vive acima das fronteiras dos géneros, traçando um mundo seu onde as heranças “clássicas” partilham espaço com ideias que escutou noutras vivências mais próximas do underground nas periferias da cultura pop/rock."
Nuno Galopim, Diário de Notícias, Dezembro 2009


"Cada nota do piano carrega uma imensa carga emotiva, que Tiago Sousa sabe manobrar inteligentemente. Trabalhando movimentos hipnóticos, obsessivos, o compositor/pianista conduz um épico documento de emoções."
Nuno Catarino, Bodyspace, Janeiro 2010


"Conseguimos sentir a influência de Satie, ou até dos Nocturnos de Chopin a sobressair aqui e a interpretação contrabalançada e expressiva de Sousa é mágica. Insónia parece mais moderno e, de alguma forma, mais maduro que a maioria dos discos de estilo clássico que chegaram até nós durante este ano."
Boomkat, Dezembro 2009





Críticas e antecipações

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